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- Pacco

O TOQUE NO SILÊNCIO
Talvez seja pelo toque de um simples clarim,
A nos trazer inesperadas recordações, num fim
D’um silêncio inconsciente...
Sim, naquele vago vazio que o toque alerta
A ilusão secreta, que o som desperta
A lembrança da alma ausente.
Paulo Costa (Pacco)
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19:57 - 25/10/2009
- Pacco

A ESPADA
Símbolos e gravuras...
O início, o meio, às curas...
O vento sopra,
Norte, Sul... E o coração
Sem rumo e sem direção...
A veste sobra!
O som nos ares dormentes...
Sonhando sonhos dementes,
Irrefutáveis...
Colossais das ilusões
Desvairadas das pregações
Trazidas dos reis...
Nos fantoches das afeições...
E o não saber das emoções
Da triste morte...
Do absurdo, da loucura...
O caos e a desventura
Qu’Ele suporte.
A espada com que feristes O Pastor —
Com prazer... O Nosso Senhor...
De riba a baixo...
Reles, em troca de bebidas...
Vis das vilezas perdidas —
No crucifixo!
O fundir do desconforto...
No insano clã do porto,
Sem esperança...
E no amor, a dor da saudade
No caos profundo — na idade
D’uma criança...
No desespero... A inobediência
Traz consigo o medo, a ausência,
O tédio e o clamor...
E dos tais inocentes guerreiros...
Mergulhando entre os canteiros —
Na prece de dor.
Paulo Costa (Pacco)
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19:56 - 25/10/2009
- Pacco

DESEJO MATERNAL?...
Viver nessa imaculada sociedade,
Entre a razão, mentira e a verdade...
É um manto social?...
Vedes a desigualdade ancorada
Na injustiça cega e desordenada...
Um desejo maternal?...
A lei do silêncio que nos emboca
Sob o império que a dor sufoca —
Injustiçada tunda;
Amordaçada em regimento ardente,
Do bel-prazer na dança do ocidente —
Vossa nudez corcunda.
Nas correntezas que vinham do Norte,
Trazendo mantos da mascarada coorte —
Soprada pelos ares...
Que um dia o falsário eternizou à glória
De liberdade — extraída por vós inglória,
Derramada a cobres.
Sim, os manifestos vindos do monte,
Para cá embaixo no celeiro da fonte —
Regida pelo vento...
Pelos deuses que outrora condenastes,
Irrespondivelmente sob os estandartes
Do descontentamento.
Mesmo que o passado esteja infecundo,
Em vossas lembranças do caos profundo,
Numa cruel tortura...
Regendo as ondas humanas, desumanas,
E amargadas em suas visões soberanas —
Sombria sepultura!
Paulo Costa (Pacco)
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19:55 - 25/10/2009
- Pacco

TERESINA
Teresina, tão perfumada e divina...
De fontes claras e água cristalina.
Terra do bacuri, pequi e do buriti;
De rios largos, bonitos como Poty.
Nos jardins da praça Saraiva,
Nos pés de oitis... Eu salivava
A minha doce mor lembrança...
Dos velhos tempos de criança.
Da Rui Barbosa ao Barrocão,
Ia cantando uma linda canção...
Na esperança de ver Dindinha,
Sentada ao lado d’avó Joaninha.
No centro do bairro Piçarra,
Eu comia cuscuz e alcaparra;
Saboreava aquele baião de dois,
Com carne seca e vinho, depois.
Na beira do grande Parnaíba,
O Maranhão fica logo arriba;
Na correnteza que vai pro mar —
Rege a embarcação p’ra navegar.
Teresina, preito à Teresa Cristina,
Onde morou minha mãe Cristina...
Nascida na linda cidade de União —
Na beira do rio — lugar de opinião.
Minha Teresina é terra sagrada...
Onde tudo encanta e tudo agrada,
Na praça P.2, salve, terra encantada;
E nas lindas flores — canta, passarada!
Teresina é uma bela cidade, sim!...
De mulher cheirosa como jasmim;
E, se quiseres ver menina assim...
É só passar na Frei Serafim.
Eta, coisa boa... Viver em Teresina!...
Onde tudo é encantamento...
Onde tudo me alucina...
Linda.......... Teresina!
Paulo Costa (Pacco)
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19:54 - 25/10/2009
- Pacco

NESSA BANDEIRA
Nessa bandeira contém um pau-de-sebo...
E que escorrega como quem desliza cedo;
Cedo na manipulação do partido esquerdo...
Avante, homens idólatras — ao rei soberbo.
Essa bandeira não sobe nesse liso mastro...
Está amarrada com um nó de cavalheiros,
Nas cordas das armações sobre o tal lastro
Corriqueiro, indolentes estiolando conselheiros.
Eia, sob a luz do sol que doleira o camarada...
E, já manifesta a indubitável promessa inglória,
Na ressurreição da pátria — no dolo da alvorada...
E que a injustiça só se adultera à rogatória
De cidadãos de bens... E nunca se poderá dar
Ao luxo da irmandade — adotada por acobardar.
Paulo Costa (Pacco)
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19:52 - 25/10/2009
- Pacco

O QUE TENHO P'RA DIZER!?
Eu escrevo o que penso...
E nada importa saber;
E..... pode ser intenso
O que tenho p'ra dizer!?
Não quero ser poeta,
Muito menos ser doutor;
Tampouco ser profeta...
Já nasci compositor!
Vozes vociferadas,
Bradam às escondidas —
No desejo musical...
Da Breve, que reparte
A implacável Arte —
Na Música colossal!
Paulo Costa (Pacco)
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19:48 - 25/10/2009
- Pacco

JOÃO-NINGUÉM
Se o mundo acabasse hoje...
Só sobraria o joão-ninguém;
Se tu morasses naquela laje...
Não pagarias nem um vintém.
— Se eu morasse naquela laje...
Não interessava saber de quem;
Se eu andasse co’um belo traje...
Não me chamavam de joão-ninguém.
— Se sou maltrapilho — não sou ninguém;
Mas pra pagar imposto — sou alguém!...
Na devolução... Vou cobrar de quem?...
Depois que criaram o tal perdão...
A lei não prenderá nenhum ladrão;
Se for prender... Não prenda o João!
Paulo Costa (Pacco)
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19:43 - 25/10/2009
- Pacco

SEXTINAS E QUINTINAS
Lá no alto da montanha,
Onde canta o sabiá...
Passaredo em arvoredos
Vão voando sem cessar.
Sextinas e quintinas
Ressoando pelo ar...
No som da minha viola
Vão cantando sem parar.
Paulo Costa (Pacco)
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19:40 - 25/10/2009
- Pacco

PRAZER E DESPRAZER!...
Sangue derramado sobre a terra...
Matam-nos por crueldade, modorra,
Diversão... Pelo prazer e desprazer!...
Matam pelo poder e pela angústia de viver...
Nos labirintos dessa escuridão insondável...
Demasiado nua, cruel, escura e tenebrosa à toa;
Circunda em sua amargurada proa...
Um insignificante desejo indesejável.
Desenha a tresquiáltera de sua indolência crucial...
Dogma de sua irrelevante indisciplina angelical,
E impenitente travessura envolvente... Demente crente!
Crente na trindade que altera a desventura iminente.
Ser um convicto em sua maledicência sobre a oposição...
Por ter afeto pela degeneração... Às vezes, uma ilusão,
Às vezes, sofrido... Às vezes, nem sabe por que crê;
Vive num descontentamento sem saber o real viver.
Será que é para o bem, ou para o mal?
Tudo está bem!..... Tudo está mal!.....
“Um dia tudo estará bem, eis nossa esperança;
Tudo está bem hoje, eis nossa ilusão.” (Voltaire)
Paulo Costa (Pacco)
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19:38 - 25/10/2009
- Pacco

POESIA E MELODIA
Certamente, não é tão trabalhoso escrever Poesia...
Trabalhoso, é descobrir a arte d'escrever Melodia!
Mas não vos entristeçais por não escrever uma Sinfonia...
No regalo de tanta euforia...
Onde transborda — a eufonia...
Quanta beleza nessa magia!
Perdoem-me a sinceridade...
Por essa eventual verdade!
Paulo Costa (Pacco)
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19:37 - 25/10/2009
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