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Livro de recados de Pacco

Pacco
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A SACERDOTISA

A Maria Teresa Bolzan de Angelo

O que deveríamos dizer a uma verdadeira sacerdotisa...
Mesmo antes de aplaudir o seu real encantamento?...
Donde brotam as mais belas e rimadas histórias d’uma poetisa,
Contadas em versos e prosas..... Seu mor sentimento!

Ternura em vossa leda caminhada, por entre as ondas
Que bailavam em finíssimas gotas d’água de outrora...
Vossa liberdade de expressar sua alma, nas sondas
Da memória oculta que o tempo adornara! Maria... Senhora,

Em vossa alma esvoaçavam pirilampos, na contradança
De nossas andanças, que iam ao encontro da felicidade.
Jorravam no ar, desejos imensuráveis de esperança...
Trazia, no peito, sementes enraizadas de afetividade!

Vossa alma é a beleza exuberante, extraída da serena
Melodia, que a misteriosa Sinfonia nos presenteou!...
E, soletrando os manuscritos mitológicos de Athena...
A majestosa sacerdotisa prostrava-se ante o rei que a beijou!

Nesse encontro casual, embevecíamos, no Recanto, co’afeto...
E, com os toques das trombetas elevando noss’alma...,
Revelando a magia de sua presença melíflua... E no soneto
Da mais singela suavidade — brotada do encanto de su’alma.

Paulo Costa (Pacco)
21:44 - 25/10/2009
Pacco
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PALAVRAS AO VENTO

Se as minhas palavras não ecoam
Entre as montanhas, quando solto a minha voz...
Nem quando solto o meu canto com dignidade,
Assim como os passarinhos cantam em liberdade...
(...) Só ouço o meu silêncio nesse manifesto atroz.

Se as minhas palavras não envolvem tais sentimentos,
Enquanto que nessa aurora, quando nasce o raio de sol...
Minhas palavras vão ao vento e não ecoam nesse arrebol.
Silencio-me e vejo um bailado daqui p’ra acolá do vento...
Mas....., minha voz não quer calar um só momento!

O sol do meio dia vem aquecer a minha extrema agonia.
Já cansado de esperar o inesperado eco que não ouvia...
Mesmo quando solto o meu gemido na desesperabilidade...
Minha canção quer encontrar minh’alma do outro lado
Da sombra, onde dorme o meu longínquo canto calado.

Se a minha voz não ressoa entre esses belos montes...
Assim como o sol vai se pondo, calado, no horizonte...
Silencioso, tal como as minhas palavras vão em vão...
Dia a dia, vejo no céu, nos mares e nos lindos arvoredos,
A sombra de minha voz surgir nas águas e rochedos.

Se as minhas palavras vão ao vento e não retornam
Dessas lindas montanhas... Minhas lágrimas formam
Cachoeiras que deságuam no mar, meu choro a chorar;
Nem mesmo um soluçar das águas a ecoar. Um algoz
Num vento cálido a soprar meu gemido e minha voz.

E quando a noite vem... Chegando bem de mansinho,
No meio dessa vasta floresta, sinto-me sozinho...
Sombreado no meio da mata, onde num deserto achei
A minha desesperança, e vou ensimesmando-me tristonho,
Nessa sombra ilusória onde tentei viver um só sonho.

Pouco a pouco, as estrelas vão surgindo no firmamento...
Tão lindo... Tão naturalmente vão clareando todo o céu;
A lua, doirada, cheia de ternura nesse entrelaçamento...
Vem resplandecendo sobre a aba do meu chapéu;
É quando, de repente — ouço a minha voz ao léu... Ao léu...

(((((AO LÉU))))), ((((AO LÉu)))), (((AO Léu))), ((AO léu)), (Ao léu)...

Paulo Costa (Pacco)
21:43 - 25/10/2009
Pacco
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SINFONIA DOS PASSARINHOS

Sinfonia dos passarinhos no arrebol...
Soam melodias que vêm co’os raios de sol —
Anunciando um novo dia.
A aurora manifesta suaves e ledas andanças,
Em nossas vastas sensações nas lembranças,
Numa fascinante eufonia.

O Bem-te-vi entoa notas em Lá bemol...
Os pássaros saem dos ninhos, atrás do girassol —
Compondo cantos em liberdade.
Gorjeiam frases polifônicas, sem aritmética...
Alimentam os filhotes numa forma tão poética —
E permanente notoriedade.

Aqui, no alto desta colina, onde os Canarinhos
E as graciosas Andorinhas, vêm fazer seus ninhos —
Trazem no bico — ramos e flores...
Num ad libitum bailado, flutuante e envolvente;
Sintonia nos belos cantos da natureza atinente —
Ao romper da aurora — lindas cores!...

As faceiras Gaivotas, ao mar, com suas asas longas...
Mergulham num voo rasante por debaixo das ondas;
E voam sobre as marés mais altas...
Predominando entre outras aves, em seu espaço aquático;
Mas aí, o Jaburu afana delas o alimento, mui simpático...
Levand’o pescado das Gaivotas!

O Rouxinol, com seu canto lírico, gorjeia linda melodia...
Uma sonoridade inebriante, na glória de sua cantoria...
As cadências jamais esquecidas;
Vibram com todo ardor, acalentando nossos corações,
Junto co’os acordes vindo do Sol, e trazem-nos emoções
Vibrantes nas asas coloridas.

As Araras, com caudas reluzentes, belas e formosas...
Rubras, verdes, amarelo, azul anil, de cores extremosas,
Acalentando, tod’o alvorecer...
Fazendo gracejos p’ra sua amada, exibindo o seu cantar...
Que o tempo esculpiu na linda floresta o seu trautear...
Profunda satisfação de viver.

O Pica-pau picota na madeira — fazendo toda a marcação;
Regendo no toc-toc, os meros compassos com precisão...
Os passarinhos saem dos ninhos —
Nos primeiros raios de sol... E vestem a mata de toda cor...
Pintassilgo, Curió, Tuim, Tiziu, Uirapuru, Sabiá e Beija-flor...
Na Sinfonia dos passarinhos.

Paulo Costa (Pacco)
21:41 - 25/10/2009
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FALSÁRIOS DA LIBERDADE

Nossos rios, povos, cidades e esperanças...
Só serão avaliados em época de eleição.
Os impostos recolhidos nas infindáveis alianças...
E os ais dos eleitores, nessa triste interjeição.

Rios transbordando os lamaçais da vergonha,
Que o bendito suposto logrou como patrimônio,
E justifica-se aos inconscientes, na carantonha...
Na cara dura, e nunca fará um só pandemônio...

E, para completar essa infinita incompreensão,
Com os risos estampados em fotinhos e folhetos,
E transmutando até mesmo na liga da oposição...
Nas propinas indecorosas em seus panfletos...

Mas, a eleição é verdadeira peregrinação,
Co’os santinhos que circulam para a cesta básica...
E farão brotar na irreal lavoura da abonação
Dos homens de bens, e homens de Deus na basílica,

Chorando a dor da injustiça que os acompanhará
Por toda a vida, por toda a eternidade, numa cruel
Penitência sobre a mentira e a custódia no alvará
Da vergonha, que o sorrateiro não paga um níquel.

Ó injustos!... Na epopeia vergonhosa da perversidade...
Falsários da liberdade em clãs de lenta miscigenação...,
Nos escombros escondidos, na improfícua desigualdade,
Que os metodistas aceitam em conformidade e adoração.

Paulo Costa (Pacco)
21:40 - 25/10/2009
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OS SETE MARES

A noite estava calada...
Mas o meu maior desejo
Era rever-te, minha Mada...
Que saudade do teu beijo!

Lindos momentos co’a minha Mada,
Quando avistamos a luz do luar...
Sentamos na proa da jangada,
E só ouvíamos o som do mar...!

A âncora, ancorada e triste
Entre os troncos de coqueiros...
— Queres navegar? O mar existe;
Entre as nuvens e nevoeiros!...

A jangada navegava ao vento,
Já navegara os sete mares...
Dia e noite nesse encantamento,
Nas altas ondas e quebra-mares.

A noite estava fria, mas, sossegada...
O vento soprava a vela que nos guiava
Nessa linda travessia, e você, amada...
Encantava meu coração que navegava.

Paulo Costa (Pacco)
21:38 - 25/10/2009
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O MESSIAS

Sacerdote, rasgou o pano,
Enraivecido de anomalias...
Na hipocrisia do soberano —
‘Sbofetearam O Messias.

No templo, no tribunal do Sinédrio...
Anás, Pilatos, Caifás e os fariseus...
Ofereceram Jesus aos compadrios,
E o declararam: o rei dos judeus!

Açoitaram-no covardemente... E todos estes,
Quando o deixaram nu, na presença dos seus (...)
Ainda lançaram sortes sobre as suas vestes;
E... Crucificaram o Verdadeiro Filho de Deus.

Paulo Costa (Pacco)
21:36 - 25/10/2009
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JÁ VERSOS JÁ

Já me questionaram, murmuraram e criticaram...
Já me forjaram, me acusaram, me humilharam...
Já me surraram, me pisaram, abandonaram...
Já me cegaram, me usaram e me gozaram!

Já me torturaram, me odiaram, me xingaram...
Já me zombaram, e como, “Cegos”, me ignoraram!
Já me embebedaram, me afogaram, maltrataram...
Já me tocaram, me esfolaram e me isolaram!

Já me aplaudiram, lisonjearam e me ampararam...
Já me beijaram, me abraçaram..... E, até me amaram!
Também já me vaiaram e, de tão “Surdos”, me reprovaram!
Já me tentaram, ostentaram e se enganaram!

Já me infernizaram, me sugaram e me caluniaram!...
Já me “crucificaram” e me Ri-di-cu-la-ri-za-ram...
E como, “Loucos”... Me julgaram e me condenaram!...
Mas..... Nunca me derrotaram!!!

Paulo Costa (Pacco)
21:32 - 25/10/2009
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A ROSA PREDILETA

As lindas flores crescem no jardim,
P’ra encantar minha doce Madalena...
Donde a vejo co’a linda açucena —
A colher as pétalas de jasmim.

Se uma estrela mergulha lá do céu —
Inspirando a alma do poeta...
P’ra arrulhar a rosa predileta —
Cresce a brilhante chama do androceu.

No sabor lúbrico e envolvente...
Transborda a relva em diversas cores...
Transpondo a balada entorpecente —

Nos serenos contornos de amores!...
Quando suspira em minh’alma ardente —
Vagueio nos dédalos das flores.

Paulo Costa (Pacco)
21:24 - 25/10/2009
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A ignorância

Se a ignorância fosse um dom...
Tu viverias no bem-bom!

(Pacco)
21:18 - 25/10/2009
Pacco
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SERPENTE

Prepotente,
Descontente...
É assistente
Da serpente.

Co’seu dente,
De repente...
Morde a gente
Novamente!

Pessoalmente,
Vem urgente...
Co’um tridente.

Certamente...
O indecente
É um demente!

(Pacco)
21:15 - 25/10/2009

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