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Livro de recados de Pacco

Pacco
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NEVES DOURADAS

Várias condecorações nas paredes,
Tão formosas... Possuídas a cobres...
Não sobrou um só canto!
Certificando um adornado capelo,
Na indecorosa armadilha de gelo —
Profundo desencanto.

A tormenta dos longos precipícios,
Nos campos de neves dos hospícios,
Tombaram grandes vermes!
As serpentes que habitavam os mausoléus,
Foram traídas, e fizeram mor escarcéus —
Co’ arrojados pêsames.

Nem mesmo as águas da chuva a derramar,
Nem mesmo as neves a derreter no mar —
Calarão o meu cantar.
Douradas são as aves de rapina...
Que só crescem nas ervas da campina,
Nas Serras p’ra se assentar.

Barafustar as desgrenhadas trevas...
Nos labirintos caminhos das ervas —
Se perderão nos cardos!...
Turbados ao redor co’a indiferença...
Noites nebulosas — darão sentença —
Ao descaso dos Fados.

Ó pobres de ‘spírito...,
Que degustam cabritos;
Inda levam os detritos,
P’ra lugares ‘squisitos.

De dia, é bode assado...
De noite, encapuzado;
Quando amaldiçoados...
Tornam-se mal-amados.

D’outrora vem o vento...
Com descontentamento;
Adagio em andamentos...
Nos tais talentos lentos.

Quem suporta a divina decadência...
Na surdina e mal tocada cadência —
Aos trancos e barrancos?...
Os eméritos penam por não saber,
A diferença que há entre o ‘screver,
E ler compassos brancos.

Os pompiers ficarão furiosos —
Por não compreender, como os virtuosos
Conseguem essa proeza.
A tormenta que envolve o ‘snobismo...
Deprimentes se lançam nos abismos —
Revela u’a mor tristeza!...

Avante!... Combatentes de rumores!...
Na batuta que enobrece os amores —
D’onde vem a inspiração.
Vossa glória é viver nos reles antros,
Na celeuma arrogante dos maestros —
P’ra reger aberração.

Poetas!... Luminosa é a vossa arte!...
Que cantam as melodias — destarte!...
— Cantos da natureza!
Das fugas profundas nas variações...
Harmonizando o enlevo nos corações —
D’onde inspira a beleza.

Paulo Costa (Pacco)
04:21 - 06/12/2009
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BERÇO DE PASSARINHO

(...) Inda me lembro daquele lar turdídeo...
No qual também cantava o apodídeo —
Alegrava o meu coração.
Desterrei-me encantado mundo afora...
Quando ouvia aquelas aves canoras —
A levar-me p’ra amplidão.

Sentia-me um estranho num grão ninho...
Naquelas noites em que fiquei sozinho —
A carregar o meu fardo!...
Sabiamente, atravessei o caminho,
Por onde rastejava um tatuizinho...
Onde havia um longo cardo.

Embora eu me sentisse atordoado...
Naveguei pelo mar, amedrontado...
Co’a esperança de ver o sol.
Procelosas ondas encobriam a luz,
Nos furores gestos em forma de cruz,
A rodear-me em caracol.

No centro daquele mor remoinho...
Cruzavam abraçados co’ escarninho —
Em direção ao tridente!...
Lembrei-me, naquele instante, do Senhor...
E Ele me deu asas fortes — pelo amor...
E eu voei..... Clarividente!

Voei rumo às estrelas no azul do céu...
Deixando os desprezíveis num mar de fel...
Encontrei a liberdade!
As armadilhas dos aparentados...
Destruíram as grunas — os desgraçados,
Par’a infelicidade.

Sou um grão suspenso no firmamento...
E a luz a me levar em acolhimento —
Pela simples razão de ser!...
Sou amante do grã-gigante ninho...
Talvez seja um berço de passarinho,
Nas árvores — poder crescer.

Mas a felicidade está nos Cantos...
E a glória do Senhor — reina nos campos,
A levar-me p’ra exaltação.
Uma imensa alegria surgirá do céu...
Derramará na terra um sabor de mel...
Num silabar em comunhão!

Paulo Costa (Pacco)
04:18 - 06/12/2009
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MASSACRADAS

Sonetilho dedicado aos garotos da Candelária

Vagando pelas calçadas...
Entre as mantas de jornal...
Crianças são massacradas...
— Num pecado capital!

Não existe calendário —
Nesse tempo infernal!...
— Só vejo o dignitário...
— Na coluna social!

Quando ouço o campanário,
Embalando a comunhão...
Surge um novo serpentário...

— P’ra iludir a multidão!...
... São tantos turiferários...
— Na assombrosa maldição!

Paulo Costa (Pacco)
04:15 - 06/12/2009
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IMAGEM DE MULHER

Guardo em meu leito tua imagem de mulher...
Macia como as nuvens a voar no céu...
Logo em minh’alma resplandece o alvorecer,
Do tresnoutar vibrante no encantado véu.

Quando adormece em meu peito u’a fantasia...
Revelando os segredos das belas flores...
— Ouço n’alcova o soar de u’a melodia,
Nos belos cantos a enternecer de amores...

Guardo os segredos nos dédalos do amor...
Minha ansiedade trespassa a ventania... —
Como um tufão a devastar — todo o pudor!

No aconchego tresloucado de euforia...
Donde exalam as fragrâncias de teu primor,
Na imensidade ao tocar u’a sinfonia!

Paulo Costa (Pacco)
04:14 - 06/12/2009
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SENHORA

Os cabelos daquela senhora,
São formosos como a açucena...
Tão perfumados como u’a verbena,
Tal quando nasce a linda aurora.

Na brisa, quando chorei outrora...
No momento em que vim ao mundo...
‘Stava a sair de um sono profundo —
Beijei-lhe a fronte, nessa hora.

Oh! Linda senhora, minh’amada mãe!...
Carregou-me em seu colo a cantar...
Chorou de alegria a me acalentar,
E me amou!... Sua bênção, doce mãe.

Paulo Costa (Pacco)
04:13 - 06/12/2009
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PRECONCEITO

Serei insubmisso ao preconceito,
De tal cidadão sem nenhum respeito —
Por boicotar os meus versos.
Sou prisioneiro por não ter direitos...
Direitos de cidadão — com defeitos —
Por trilhar caminhos inversos.

A involução de meus compatriotas,
Levam a desventura pros idiotas —
U’a soturna castidade.
Os correligionários sanguessugas,
Amordaçados num paiol de pulgas —
Revela sua insanidade.

A crendice na mor vulgaridade...
Resplandecendo à vil atrocidade —
Adejada na podridão.
Pousa com desconforto sobre o canhão,
Onde resmunga no chão — à comunhão —
Os pecados à escravidão.

Quando a espada dos velozes abutres,
Lambiam os regimentos dos ilustres —
Numa vil sociedade...
Os gladiadores, rugindo indômitos,
Rastejando sobre o fel de vômitos —
Vão nadando na deidade!

A desgrenhada inquisição no furor,
Resvala o gládio no combate d’horror —
Nas reverências sepulcrais.
Em cortejo aos homens — no submundo,
Sobre as misérias do costume imundo —
Promulgam sob os castiçais.

Quando toco na lira — uma canção de amor...
... ele transforma a rosa nu’a negra flor —
Abismando a crueldade.
Ó alma penada..... Ouve o meu clarim!...
Não vês que a hórrida sepultura é o fim?...
Deus me deu a liberdade!

Paulo Costa (Pacco)

04:06 - 06/12/2009
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ENJAULADOS

Enquanto se fala de liturgia...
Que gera um absurdo contra a magia...
Noites nebulosas enxugam as mágoas,
Tal qual o vento que sopra as canoas...
Ancorando a nau na beira do medo;
Trazendo a agonia nos rochedos,
Aos marujos encurvados nos porões!...
Porões de víboras sórdidas, cegas —
Dos infames errantes sanguessugas —
Dominados no abismo das privações.

Quando os ataques vêm co’a aleivosia...
Assombrando a suave maresia...
Ventanias sopram nos matagais,
Combatendo os rumores dos leva-e-traz...
Nos infindáveis confins do universo,
Proclamando a liberdade ao converso;
Saudando co’a indiferença — os caporais...
Numa mor escala adejada de ilusão;
E vão atravessando a imensidão...
— Triste guerra dos dramas imortais.

A pior guerra que se pode travar —
É a guerra fria!... Nos insultos — calar;
Porém, rosnando nos sórdidos porões...
Lançam-se nas comédias das maldições.
Crápulas!... Amantes da desventura...,
Vão toldando a hórrida sepultura!...
Desabando nas terríveis propostas,
Abandonando as torres — nas encostas
Do velho monte... Onde o Senhor orou
Por aquela turba, e depois chorou!

No jardim, a roseira tece a flor,
Sob a luz escaldante do grão astro,
Mudam-se as pétalas co’o vento atro,
Banindo as folhas secas de seu olor!...
As trepadeiras das grandes muralhas,
No fraguedo estonteante da súcia —
Resmungam no açoite da vil demência;
Nas encostas da injusta camarilha,
Que julgam os condenados em seu furor!...
— Enjaulados na penitência d’horror!...

Paulo Costa (Pacco)
04:05 - 06/12/2009
Pacco
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O MAQUINISTA

I
Minha primeira Fantasia
Transformou-se em Sinfonia —
Repleta de aventura.
Era u’a simples melodia
Que sonhei, num belo dia —
Reger na partitura.

Quando acordei, naquele dia...
Oh! Quantas imagens eu via...!
Pareciam bem reais.
Inda estava mui confuso,
Ao ver tudo aquilo incluso —
Para mim era demais.

Achei que estivesse a sonhar...
E comecei a m’enfronhar
Naquilo que sentira.
U’a Viola e um Violoncello,
Soava um som singelo...
Foi tudo qu’eu ouvira.

Com’um passo de mágica...
A inspiração foi lógica —
Entendi como ‘screver!
A Orquestra soava inteira,
Uma total "quebradeira" —
Difícil de descrever!

"Poco a poco" foi crescendo
O qu’eu ia escrevendo —
Na mor seriedade!...
Mui "allegro" em cada trecho,
Sincronizava o desfecho...
Co’ mais sonoridade.

O Maquinista — mui moço...
Deslizava em "più mosso" —
O trem Maria Fumaça.
Num dueto... Solfejava
U’a melodia em oitava,
"Dolce" e cheia de graça.

Vibrava o tom em Ré menor,
Co’a sonoridade — Tenor...
Às vezes — Barítono!
Entrelacei todos os sons
Diatônicos e semitons —
Numa manhã d’Outono.

Já estava chegando o Inverno...
Quando mudei de caderno —
Pr’aumentar a percussão.
Adicionei mais Tímpano —
P’ra executar co’o Piano,
E ‘screvi u’a progressão.

De repente, veio um breque,
Por causa d’um calhambeque —
Cruzando a linha do trem.
Foi um enorme sacolejo,
Que assustou o sertanejo —
Lá naquela passagem.

II
Máquinas em movimento
Contrário — deslumbramento
No eco das cruzadas.
Quando estrugiam os tambores...
Lembravam os compositores —
Nas grades sincopadas.

Belo comboio — tão longo...
Dançava com’um fandango,
A balançar co’o vento.
Estava em terra espanhola,
Quando vinha a ventarola —
Dos trens no cruzamento.

Passavam tão velozmente —
Que o som soava na mente,
Um zunir d’arrepiar.
Soava um belo harmônico...
Pena que foi lacônico,
E não deu p’ra copiar.

III
Assim que saí da Espanha...,
Surgiu u’a linda montanha,
E havia um grupamento.
Um barulho ensurdecedor...
Dos cavalos sobre o pendor —
Num festival sangrento.

Nesse instante, vi os Índios
A defender seus princípios —
Na invasão da terra.
As mulheres com seus filhos,
Outros na beira dos trilhos,
U’a verdadeira guerra!

Soldados co’as suas bandeiras,
Saltavam sobre as caldeiras...
Num gesto ameaçador.
Na tribo, os grandes guerreiros,
Dão sinais pros estrangeiros —
Que não são da mesma cor.

IV
Nos grandes montes gelados...
Uns véus de noiva nos lados —
A encher de alegria...
Inda naquele momento...
Que ‘stava em deslizamento —
Parecia u’a sangria.

Nas cordilheiras de gelo...
Tratei de usar um capelo —
Para não me resfriar.
O frio era muito intenso,
Chegava a ficar mui tenso,
Mas ficava a inebriar.

V
Quando vi — o país Brasil...
Verde, amarelo, azul anil...
Num alegre festival...
Grandes escolas de samba,
No batuque da macumba —
Majestoso carnaval.

Orixá, Saravá, Xangô...
Baiana, pisa na “fulô”...
Estandarte e boneco.
Na barrica — o som do tambor,
Surdo, tamborim e agogô...
Pandeiro e reco-reco...

Rei Momo, co’as suas mulatas...
Nos carros co’os diplomatas,
A luzir e a perfilar.
Passistas, porta-bandeira,
Mestre-sala e capoeira —
N’avenida a desfilar.

VI
Passando pela África...
Olhei uma jaguatirica
Na beira d’uma cascata.
Fiquei tão maravilhado
Com aquele animal malhado...
Que se embrenhou na mata.

Opa! Calma — Elefantes!...
Avistei dois brutamontes
Com suas orelhas longas...
Eram a mãe e seu filhote,
Que estavam em convescote,
Numa daquelas bandas.

Transformei em acalento,
E adagio no andamento —
U’a melodia sutil.
Cantava em modo dórico...
Um ingênuo canto lírico,
Àquele bebê gentil.

VII
Logo ao sair da África...
Dei de frente co’a fábrica,
E saía um caminhão...
Já estava em Nova Iorque,
Quando houve um entrechoque —
U’a tremenda colisão.

Mudei a escala harmônica —
Toda p’ra hexafônica —
Inspirado em Debussy.
Tensão n’atonalidade —
Contraponto e austeridade —
Movimento em frenesi.

Estava agora em direção
Ao centro — num’apresentação
D’um desfile militar!...
Foi um corre-corre — geral!...
A banda em frente à catedral,
Começou a transitar...

O trem perdera o seu freio,
E a multidão — no passeio...
Sem saber o que fazer.
Mas, o andamento era più,
Por sorte, ninguém se feriu —
P’ra não ter o que dizer.

O desespero foi total!...
O trem intercontinental —
Saía da cidade...
O Maquinista, assertiva,
P’ra toda sua comitiva —
Que fora u’a novidade.

VIII
No deserto do Saara...
Precisou usar máscara,
Para cobrir seu rosto.
O vento soprava a areia...
Que enfraqueceu a correia —
Logo do lado oposto.

O pé de vento balançou
Tod’o comboio, e castigou
Seu desenvolvimento.
Estava a cento e cinquenta...
E no meio d’uma tormenta...
Surgiu um vazamento.

Balançou p’ra lá e p’ra cá...
Travou inteira a‘lavanca,
E não tinha o que fazer.
Nesse instante — só restava
Rezar — para que a trava
Pudesse se refazer.

Se ao menos tivesse freio...
Não teria tanto anseio,
E poderia parar.
Mas, nem podia examinar...
A ventania ia lhe jogar
Para fora e afugentar.

IX
Quando decidi que a história,
Tinha que ser a trajetória —
Em direção ao Japão...
Vi a ponte estremecendo —
De ponta a ponta, e, tremendo
Os trilhos com’um cordão.

Um terremoto — assustador!...
O Maquinista e o contador
Sorriam da agitação.
Quando a Maria Fumaça —
Passou!... Quebrou a vidraça,
A corrente e a ignição.

Por sorte, a ponte veio ao chão...
Depois que o trem passou o cordão —
Na rigorosa pressa.
Os destroços alargados,
Mostrando os antepassados,
E o som do sino — cessa!

Por alguns minutos — calou!...
Só se ouviu o som que soou
Da ponte a desmoronar.
Foi um barulho estridente,
Que alertou — toda essa gente —
A cantar p’ra não chorar.

Não era u’a escala eufônica,
E sim, u’a pentatônica...
E o sino volta a soar!
Descompassado — é certo!...
Não era nenhum concerto,
A não ser — p’ra unificar.

Depois que vi a fronteira...
Não passou d’uma zonzeira —
Que jamais imaginei!
Fiquei tão impressionado,
Co’ aquele imenso tornado...
Mas agora, é qu’eu sei!...

Sei o quanto vale a pena,
Ter esperança — na arena,
Enquanto estiver vivo!
A cega e inútil solidão...
Só dilacera o coração —
Num punhal alusivo.

X
Num desfiladeiro extenso,
Fui embrenhando, descenso —
Até o centro da terra!
Ouvia um incomparável
Flagelo, incomensurável —
Na escura e longa serra.

Nos báratros, lá, bem fundo...
Revelava um além-mundo —
De poços escabrosos.
As lavas encobriam os trilhos,
Formando vários fornilhos —
Um tanto lamentosos.

Logo ao entrar na caverna...
Surgiram várias cisternas,
De torrentes lamaçais.
Um clarão incandescente
Abrasava as nossas mentes,
Num tormento, ouvindo os ais.

Um estranho mau cheiro no ar,
Começou a aterrorizar
Todos os passageiros.
Parecia entrar nu’a sauna,
Que ia ‘squentando a noss’alma,
Tal qual um fogareiro!

O abrasamento era ardente...
Chegava a ranger os dentes —
Difícil de suportar.
Mas..., continuei a escrever,
Com o meu suor a derreter —
O qu’eu vira p’ra contar.

Vi tod’os meus inimigos —
Lamentando dos castigos —
A chorar de tanta dor.
Nas lágrimas dos errantes —
Saltavam várias serpentes,
E ficavam ao seu redor.

Infinitos gritos d’horror...
Quando vinha o dominador —
Fazer mais um suplício.
As correntes torturavam
Os rebeldes... E os jogavam
Num enorme precipício.

Ó lívidos murmurantes!...
Por que não chorastes antes,
Quando inda eram vivos?...
A assombrosa desventura
Destroça — tod’a ossatura...
Dos gestos ofensivos.

XI
Ao longe..... Roda gigante,
Carrosséis, circo e mirante —
Pr’alegrar o coração.
Para erguer — sua bandeira...
Na vida..... De brincadeira —
No parque de diversão!

— "Senhor... O parque vai fechar!..."

Paulo Costa (Pacco)

Essa poesia e o poema sinfônico são dedicados ao professor Nikolaus Schevtshenko.
21:31 - 24/11/2009
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O SABER POR NÃO SABER

“Só sei que nada sei.” Já li essa frase!

Ah, se soubesse de alguma coisa...
Tudo não seria assim tão simples, mas se assim o é...!
É por uma boa razão, por não saber o que não se sabe.
Ou seria uma ilusão saber?
Ilusão por saber que..... Tudo sabem!
Ora, saberia que nada sei!

Se soubesse de alguma coisa...
Essa coisa seria ou teria algo a saber?...
Se não sei de coisa alguma no saber que se sabe,
Que julgam saber o que nada sabem...
De certa forma, não saberemos onde e nem quando
Devemos buscar a sabedoria no saber de quem sabe.

— “Quem sabe?...”.

Saber é um defeito por saber que sabe —
E que não deveria nunca saber.

— “Nunca se sabe!”.

Por imaginar saber que sabes e,
Por que, ele não procura saber o que ainda não sabe...
Isso os levaria para o real saber que não sabem
Como é verdadeiramente aprender a saber o que não sabem.

— “Não quero nem saber de quem sabe!”.

Por pensar que sabe...
É uma cenografia da cumplicidade por um sabor
Da mais amarga ilusão de imaginar e achar que sabe.
Simplesmente por não saber e pela simples razão de ser
E não conhecer o saber...
É sofrer por não saber viver!

— “Vai saber!...”.

Sofrer igualmente é saber que vivemos sem saber o real sofrer
Por não saber, por não querer sofrer sem saber por quê.
O sofrer por achar que o saber é simplesmente uma razão de viver...
Viver o sabor do saber, mesmo sabendo que o sofrer também é viver;
Saber por saber o que ainda não sabemos e, talvez nunca saberemos.
Aprender a sabedoria do saber — é saber que nada se sabe!

Paulo Costa (Pacco)
21:48 - 25/10/2009
Pacco
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A MAGIA DO TEMPO

Ao jovem amigo Emerson de Angelo.

Hoje em seu coração, o vento sopra com afetividade —
Uma adornada canção — que Deus criou na afinidade,
Para alegrar este belo dia.
Na adolescência, a fantasia pelo encanto de viver...
Seguindo o curso da natureza, para crescer
Numa imensa orquestra de alegria.

O tempo é a beleza e a proeza de esculpir o ardor...
O ardor da serenidade e da sinceridade
Que vem com o vento, no tempo;
Num tempo calmo e sereno.

O vento é a magia que nos traz a felicidade,
A dor... Essa dor que nos fortalece
Contra as intempéries d’amargura.

O vento também nos traz a temperança...
Mas, tempestades ao vento, no tempo virão;
Virão como ensinamentos, reflexos à introspecção,
E passarão como brisa nos acariciando
E nos acalentando.

Não podemos e nem devemos tentar mudar
O curso da simplicidade,
Da determinação, da sensibilidade...
E nem tampouco o da realidade.

A magia do tempo que vem com o vento...
É a virtude e a plenitude intrínseca de toda a sabedoria.

Paulo Costa (Pacco)
21:47 - 25/10/2009

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