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- Pacco

A UM POETA
Tu, que dormes, espírito sereno,
Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno,
Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,
Afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos, que se erguem! são canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!
Ergue-te, pois, soldado do Futuro,
E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!
(Antero de Quental)
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22:00 - 01/11/2008
- Pacco

- “A música (em comparação com a poesia) possui a sua prosa e os seus versos...
Há, para mim, na nossa maneira de escrever música,
defeitos que se relacionam com a maneira de escrever nossa língua;
é que nós escrevemos diferentemente de como tocamos.”
(François Couperin)
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15:19 - 31/10/2008
- Pacco

- “A música é uma arte não significante, donde a importância primordial das estruturas propriamente lingüísticas, já que seu vocabulário não poderia assumir uma simples função de transmissão. Não ensinarei a ninguém a dupla função da linguagem, que permite uma comunicação direta, cotidiana, assim como serve de base à elaboração intelectual, ou, mais especialmente, poética; salta aos olhos que o emprego das palavras em um poema difere fundamentalmente da utilização corrente no vocabulário, numa conversação, por exemplo.
Em música, ao contrário, a palavra é o pensamento. Que é, então, a música? Ao mesmo tempo, uma arte, uma ciência e um artesanato.”
(Pierre Boulez)
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13:57 - 31/10/2008
- Pacco

- “A música tem o poder de nos desligar de todos os entraves externos e de nos ligar a todo o devir do universo através de nosso próprio âmago. Ela não se opõe a nossa civilização; permite-nos viver nela na liberdade, que é sempre preciso reconquistar, de nossas ternuras e nossos sonhos, nossos desejos e nossos ímpetos.
Paradoxalmente, enquanto se multiplicam de maneira prodigiosa a escuta e até a prática da música, muito de seus amantes, sobretudo entre os apaixonados mais recentes, procuram alguém, não raro em vão, a quem se dirigir para melhor conhecer sua história e suas técnicas. O excesso de erudição douta os desanima, o excesso de facilidade dos textos superficiais os deixa famintos. Com que mapas podem orientar-se empreender a exploração da região encantada onde reina essa sereia, a música, ainda por demais desconhecida, embora os tenha fascinado de passagem?
Não são as biografias romanceadas, nem algumas migalhas de ciência esotérica que podem garantir à música, como saber, o seu lugar na nossa civilização.”
(Roland de Candé)
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07:37 - 31/10/2008
- Pacco

QUALQUER MÚSICA
Qualquer música, ah, qualquer,
Logo que me tire da alma
Esta incerteza que quer
Qualquer impossível calma!
Qualquer música – guitarra,
Viola, harmônio, realejo...
Um canto que se desgarra...
Um sonho em que nada vejo...
Qualquer coisa que não vida!
Jota, fado, a confusão
Da última dança vivida...
Que eu não sinta o coração!
(Fernando Pessoa)
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05:01 - 24/10/2008
- Pacco

- "Os sábios mais ilustres caminharam nas trevas da ignorância, e eram os luminares do seu tempo.
O que fizeram? Balbuciaram algumas frases confusas, e depois adormeceram, cansados."
(Omar Khayyam)
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16:49 - 21/10/2008
- Pacco

II / SAUDADE DADA
Em horas inda louras, lindas
Clorindas e Belindas, brandas,
Brincam no tempo das berlindas,
As vindas vendo das varandas.
De onde ouvem vir a rir as vindas
Fitam a fio as frias bandas.
Mas em torno à tarde se entorna
A atordoar o ar que arde
Que a eterna tarde já não torna!
E em tom de atoarda todo o alarde
Do adornado ardor transtorna
No ar de torpor da tarda tarde.
E há nevoentos desencantos
Dos encantos dos pensamentos
Dos santos lentos dos recantos
Dos bentos cantos dos conventos...
Prantos de intentos, lentos, tantos
Que encantam os atentos ventos.
(Fernando Pessoa)
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05:59 - 20/10/2008
- Pacco

A INVEJA
“Inveja é o desejo por atributos, posses, status, habilidades de outra pessoa gerando um sentimento tão grande de egocentrismo que renegue as virtudes alheias, somente acentuando os defeitos. Não é necessariamente associada à um objeto: sua característica mais típica é a comparação desfavorável do status de uma pessoa em relação à outra.
A origem latina da palavra inveja é "invidere" que significa "não ver".
Entretanto, a inveja não é uma característica intrínseca do gênero humano ela é fruto do egoísmo, em uma sociedade concorrencial.
Os indivíduos, em contraposição, disputam poder, riquezas e status, aqueles que possuem tais atributos sofrem uma reação dos que não possuem, que almejariam ter tais atributos, isso em psicologia é denominado formação reativa: que é um mecanismo de defesa dos mais "fracos" contra os mais "fortes".
A inveja é um produto social e histórico, sentimento esse arraigado no capitalismo no darwinismo social, na auto-preservação e auto-afirmação, a inveja seria a arma dos "INCOMPETENTES".
Numa outra perspectiva, a inveja também pode ser definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de um outro ser, pois aquele que deseja tais virtudes é incapaz de alcançá-la, seja pela incompetência e limitação física, seja pela intelectual.”
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18:10 - 18/10/2008
- Pacco

- “Inveja. Eis um dos sentimentos mais torpes e difíceis de serem eliminados da alma humana. Trata-se de um dos vícios que mais causa sofrimento à humanidade. Onde houver apego à materialidade das coisas, notadamente em seu significado, naquilo que o objeto de desejo simboliza em termos de bem-estar e status que, aí estará a inveja, sobrevoando os pensamentos mais íntimos qual urubu ou abutre insaciável, esfomeado pela carniça. A cobiça é o seu moto-contínuo.
Há pessoas que se colocam como cães de guarda, sempre alertas ao menor ruído. Basta alguém se destacar em alguma área, por mais ínfima que seja e lá estará o invejoso, pronto para apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Uma roupa diferente, um calçado da moda ou mesmo um brinco ou pulseira bem colocados, já torna-se motivo para elogios, nem sempre sinceros.
“O invejoso não suporta ver um novato invadir espaços que ele, em sua santa indolência, deixou de ocupar por pura incompetência e comodismo. Se sente atingido, usurpado e se agarra, com unhas e dentes, ao espaço que ele acha que é seu e somente seu. Uma sutileza interessante, já que o homem pré-histórico, movido pelo instinto brutal, destroçava o seu algoz, a fim de se apropriar de seus pertences. O tempo passou, a evolução se processou como convém à estrutura das leis naturais, mas o princípio permanece o mesmo.
O invejoso passa para o boicote, vai minando com fofocas e pequenas atitudes estrategicamente montadas, a fim de destruir o novo trabalhador da Doutrina. Quer provar, ao menos para si mesmo, que o espaço é dele, e somente dele.
Do micro-universo do centro à macro-estrutura do movimento espírita, acontece, analogamente, a mesma situação. Os burocratas do Espiritismo brasileiro, cercados por seus porta-vozes, asseclas e pseudo-intelectuais, se arrepiam só em pensar na perda do poder. Quando algum grupo surge, contestando sua concepção doutrinária e seus esquemas, tratam logo de persegui-lo, taxando-o de antro, de obcecados, de anti-fraternos, anti-espíritas etc.
Não dá para negar que muitos até escrevem livros atacando esses grupos, se esmeram na elaboração de artigos e fazem palestras, movidos pela boa intenção. Mas será que, no fundo, não há também uma razoável dose de inveja do vigor da juventude intelectual e moral que, inevitavelmente, agride os indiferentes?”
(Eugênio Lara)
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18:09 - 18/10/2008
- Pacco

- “Essa inveja negra é carregada de vingança e de infelicidade. Ao sentir tais sentimentos tão negativos diante das conquistas de outras pessoas a nossa volta, nos colocamos imediatamente no lugar de vítima das circunstâncias ruins da vida, além de fortalecer as sombras interiores e negatividades de nossa essência.
Dentro do que consideramos ser a inveja negra, cabem então o “mau-olhado” ou “olho-gordo”, manifestações resultantes de sentimentos impuros e mesquinhos.”
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18:08 - 18/10/2008
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