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Livro de recados de Pacco

Pacco
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“Os que escrevem atualmente sobre música adquiriram o hábito de tudo avaliar em termos de modernismo, isto é, em termos de uma escala não existente, e condenam prontamente à categoria de “acadêmico” – que consideram o oposto do moderno – tudo o que não está de acordo com as extravagâncias que constituem, a seus olhos, a quintessência três vezes destilada do modernismo. Para esses críticos, tudo o que parece dissonante e confuso é automaticamente relegado ao escaninho do modernismo. Tudo o que não podem deixar de considerar claro e bem ordenado, desprovido de ambiguidades que lhes forneçam uma brecha, é, por sua vez, encaixado no nicho do academismo. Ora, podemos fazer uso de formas acadêmicas sem correr o risco de tornarmos, por isso, acadêmicos.
Em resumo: o importante para a lúcida ordenação de uma obra – para sua cristalização – é que todos os elementos dionisíacos que põem em movimento a imaginação do artista e que fazem brotar a seiva da vida devem estar devidamente subjugados antes que nos intoxiquem.”

(Igor Stravinsky)
21:01 - 26/12/2008
Pacco
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SE EU FOSSE UM PADRE

Se eu fosse um padre,
eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,
não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,
Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!
Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

(Mário Quintana)
18:52 - 18/12/2008
Pacco
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AH, A FELICIDADE!

“Há uma diferença entre felicidade, no sentido comum,
e felicidade, no sentido de bem-aventurança.
Paulo sofreu prisões e dores, sacrifícios e
sofrimentos até ao extremo; mas, em meio a tudo, estava feliz.
Todas as bem-aventuranças enchiam seu coração
e vida no meio daquelas condições.
Paganini, o grande violinista do passado,
apresentou-se ao seu auditório e certo dia e descobriu,
logo após os aplausos iniciais, notou que havia algo errado com o violino.
Olhou-o por um momento e viu que aquele não era o seu valioso instrumento.
Sentiu-se paralisado por um instante, mas, depois,
voltando-se para o auditório, explicou o engano.
Retirou-se por um momento, procurou-o atrás da cortina,
no lugar onde provavelmente o teria deixado,
mas percebeu que alguém o tinha roubado, deixando o outro no lugar.
Ficou ali por alguns instantes, e depois veio para o auditório e disse:
"Senhoras e senhores, vou mostrar-lhes que a música não está no instrumento,
mas na alma."
E tocou como nunca dantes.
E a música se derramou daquele instrumento de segunda mão,
ao ponto de o auditório ficar arrebatado de entusiasmo,
e os aplausos quase romperam o teto,
pois aquele homem lhes havia mostrado que a música
não estava no instrumento, mas em sua alma.

É sua missão, amigo que está sendo provado e testado,
andar no palco deste mundo e revelar para toda a terra e céu,
que a música não está nas circunstâncias, nem nas coisas,
nem no que é exterior, mas que a música da vida está em sua própria alma.”
07:21 - 14/12/2008
Pacco
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O pauloleminski é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau e pedra
a fogo a pique;
senão é bem capaz
o filho da puta
de fazer chover
em nosso piquenique.
Ele é um poeta metalinguístico,
que escreve sobre o ato de escrever poesia.
Sintonia para pressa e presságio.
Escrevia no espaço,
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.
Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.

(Paulo Leminski)
01:39 - 10/12/2008
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INCENSO FOSSE MÚSICA

Isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é...
ainda vai
nos levar além.

(Paulo Leminski)
01:19 - 10/12/2008
Pacco
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CONFIDÊNCIA

Quando, Maria, vês de minha fronte
Negra idéia voando no horizonte,
As asas desdobrar,
Triste segues então meu pensamento,
Como fita o barqueiro de Sorrento
As nuvens ao luar.

E tu me dizes, pálida inocente,
Derramando uma lágrima tremente,
Como orvalho de dor:
Por que sofres? A selva tem odores,
0 céu tem astros, os vergéis têm flores,
"Nossas almas o amor".

Ai! tu vês nos teus sonhos de criança
A ave de amor que o ramo da esperança
Traz no bico a voar;
E eu vejo um negro abutre que esvoaça,
Que co'as garras a púrpura espedaça
Do manto popular.

Tu vês na onda a flor azul dos campos,
Donde os astros, errantes pirilampos,
Se elevam para os céus;
E eu vejo a noite borbulhar das vagas
E a consciência é quem me aponta as plagas
Voltada para Deus.

Tua alma é como as veigas sorrentinas
Onde passam gemendo as cavatinas
Cantadas ao luar.
A minha — eco do grito, que soluça,
Grito de toda dor que se debruça
Do lábio a soluçar.

É que eu escuto o sussurrar de idéias,
O marulho talvez das epopéias,
Em torno aos mausoléus,
E me curvo no túm'lo das idades
— Crânios de pedra, cheios de verdades
E da sombra de Deus.

E nessas horas julgo que o passado
Dos túmulos a meio levantado
Me diz na solidão:
Que és tu, poeta? A lâmpada da orgia,
Ou a estrela de luz, que os povos guia
"À nova redenção?"

Ó Maria, mal sabes o fadário
Que o moço bardo arrasta solitário
Na impotência da dor.
Quando vê que debalde à liberdade
Abriu sua alma - urna da verdade
Da esperança e do amor! ...

Quando vê que uma lúgubre coorte
Contra a estátua (sagrada pela morte)
Do grande imperador,
Hipócrita, amotina a populaça,
Que morde o bronze, como um cão de caça
No seu louco furor! ...

Sem poder esmagar a iniqüidade
Que tem na boca sempre a liberdade,
Nada no coração;
Que ri da dor cruel de mil escravos,
— Hiena, que do túmulo dos bravos,
Morde a reputação! ...

Sim... quando vejo, ó Deus, que o sacerdote
As espáduas fustiga com o chicote
Ao cativo infeliz;
Que o pescador das almas já se esquece
Das santas pescarias e adormece
Junto da meretriz...

Que o apóstolo, o símplice romeiro,
Sem bolsa, sem sandálias, sem dinheiro,
Pobre como Jesus,
Que mendigava outrora à caridade
Pagando o pão com o pão da eternidade,
Pagando o amor com a luz,

Agora adota a escravidão por filha,
Amolando nas páginas da Bíblia
O cutelo do algoz...
Sinto não ter um raio em cada verso
Para escrever na fronte do perverso:
"Maldição sobre vós!"

Maldição sobre vós, tribuno falso!
Rei, que julgais que o negro cadafalso
É dos tronos o irmão!
Bardo, que a lira prostituis na orgia
— Eunuco incensador da tirania —
Sobre ti maldição!

Maldição sobre tí, rico devasso,
Que da música, ao lânguido compasso,
Embriagado não vês
A criança faminta que na rua
Abraça u'a mulher pálida e nua,
Tua amante... talvez!...

Maldição! ... Mas que importa?... Ela espedaça
Acaso a flor olente que se enlaça
Nas c'roas festivais?
Nodoa a veste rica ao sibarita?
Que importam cantos, se é mais alta a grita
Das loucas bacanais?

Oh! por isso, Maria, vês, me curvo
Na face do presente escuro e turvo
E interrogo o porvir;
Ou levantando a voz por sobre os montes, —
"Liberdade", pergunto aos horizontes,
Quando enfim hás de vir?"

Por isso, quando vês as noites belas,
Onde voa a poeira das estrelas
E das constelações,
Eu fito o abismo que a meus pés fermenta,
E onde, como santelmos da tormenta,
Fulgem revoluções!...

(Castro Alves)
01:28 - 09/12/2008
Pacco
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Tu és o louco da imortal loucura,
o louco da loucura mais suprema.
A terra é sempre a tua negra algema,
prende-te nela a extrema Desventura.

Mas essa mesma algema de amargura,
mas essa mesma desventura extrema
faz com que tu’alma gema
e rebente em estrelas de ternura.

Tu és o Poeta, o grande Assinalado
que povoas o mundo despovoado,
de belezas eternas, pouco a pouco.

Na natureza prodigiosa e rica
toda a audácia dos nervos justifica
os teus espasmos imortais de louco!

(Cruz e Sousa)
13:30 - 02/12/2008
Pacco
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Eia, jovens, avante!
Ser artista é brilhante,
Trabalhar é uma lei!
[...]
Não temais os pampeiros
Sois gentis brasileiros
Deveis pois progredir!
Quem vos traça na história
Vossa augusta memória
É um deus – o Porvir!

(Cruz e Sousa)
13:29 - 02/12/2008
Pacco
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“A Música é a linguagem dos espíritos. Sua melodia é como uma brisa saltitante que faz nossas cordas estremecerem de amor. Quando os dedos suaves da Música tocam à porta de nossos sentimentos, acordam lembranças que há muito jaziam escondidas nas profundezas do passado. Os acordes tristes da Música trazem-nos dolorosas recordações; e seus acordes suaves nos trazem alegres lembranças. A sonoridade de suas cordas faz-nos chorar à partida de um ente querido ou nos faz sorrir diante da paz que Deus nos concedeu.”

(Khalil Gibran)
18:49 - 27/11/2008
Pacco
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"A vida é bela e inexplicável, mas vivê-la é uma arte.
Ela nunca é uma reta, mas um caminho cheio de curvas
e de obstáculos imprevisíveis". Finalmente: Pare!
Faça uma pausa na sua vida.
Tenha a coragem de ser um pequeno aprendiz.
Retome alguns caminhos, abra novos atalhos
e aprenda a mais básica e legítima lição de treinamento da emoção:
recomeçar tudo de novo tantas vezes quantas forem necessárias.”

(Augusto Cury)
23:39 - 18/11/2008

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