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- Pacco

CANÇÃO VI
Vão as serenas águas
do Mondego descendo
mansamente que até o mar não param;
por onde minhas mágoas,
pouco a pouco crescendo,
para nunca acabar se começaram.
Ali se ajuntaram
neste lugar ameno,
aonde agora mouro,
testa de neve e ouro,
riso brando, suave, olhar sereno,
um gesto delicado,
que sempre n' alma me estará pintado.
Nesta florida terra,
leda, fresca e serena,
ledo e contente para mim vivia,
em paz com minha guerra,
contente com a pena
que de tão belos olhos procedia.
Um dia noutro dia
o esperar me enganava;
longo tempo passei,
com a vida folguei,
só porque em bem tamanho me empregava.
Mas que me presta já,
que tão formosos olhos não os há?
Oh, quem me ali dissera
que de amor tão profundo
o fim pudesse ver inda algüa hora!
Oh, quem cuidar pudera
que houvesse aí no mundo
apartar-me eu de vós, minha Senhora,
para que desde agora
perdesse a esperança,
e o vão pensamento,
desfeito em um momento,
sem me poder ficar mais que a lembrança,
que sempre estará firme
até o derradeiro despedir-me.
Mas a mor alegria
que daqui levar posso,
com a qual defender-me triste espero,
é que nunca sentia
no tempo que fui vosso
quererdes-me vós quanto vos eu quero;
porque o tormento fero
de vosso apartamento
não vos dará tal pena
como a que me condena:
que mais sentirei vosso sentimento
que o que minha alma sente.
Morra eu, Senhora; e vós ficai contente!
Canção, tu estarás
aqui acompanhando
estes campos e estas claras águas,
e por mim ficarás
chorando e suspirando,
e ao mundo mostrando tantas mágoas
que, de tão larga história,
minhas lágrimas fiquem por memória.
(Luís de Camões)
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14:44 - 12/01/2009
- Pacco

- "Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor."
(Wolfgang Amadeus Mozart)
"Uma música baseada em princípios opostos, infelizmente, ainda não deu prova de seu valor em nosso tempo."
(Igor Stravisnky)
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17:19 - 07/01/2009
- Pacco

- "O Romantismo é o liberalismo em literatura;
A liberdade literária é filha da liberdade política;
Eis-nos libertos da velha forma social;
E como não nos libertaríamos da velha forma poética?
A um povo novo, uma nova arte."
(Victor Hugo)
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07:56 - 05/01/2009
- Pacco

ESTROFES DO SOLITÁRIO
Basta de covardia! A hora soa...
Voz ignota e fatídica revoa,
Que vem... Donde? De Deus.
A nova geração rompe da terra,
E, qual Minerva armada para a guerra,
Pega a espada... olha os céus.
Sim, de longe, das raias do futuro,
Parte um grito, pra - os homens surdo, obscuro
Mas para - os moços, não!
É que, em meio das lutas da cidade,
Não ouvis o clarim da Eternidade,
Que troa n'amplidão!
Quando as praias se ocultam na neblina,
E como a garça, abrindo a asa latina,
Corre a barca no mar,
Se então sem freios se despenha o norte,
É impossível - parar... volver - é morte
Só lhe resta marchar.
E o povo é como – a barca em plenas vagas,
A tirania - é o tremedal das plagas,
O porvir - a amplidão.
Homens! Esta lufada que rebenta
É o furor da mais lôbrega tormenta.
- Ruge a revolução.
E vós cruzais os braços... Covardia!
E murmurais com fera hipocrisia:
- É preciso esperar...
Esperar? Mas o quê? Que a populaça,
Este vento que os tronos despedaça,
Venha abismos cavar?
Ou quereis, como o sátrapa arrogante,
Que o porvir, n'ante-sala, espere o instante
Em que o deixeis subir?!
Oh! parai a avalanche, o sol, os ventos,
O oceano, o condor, os elementos...
Porém nunca o porvir!
Meu Deus! Da negra lenda que se inscreve
Co'o sangue de um Luís, no chão da Greve,
Não resta mais um som!...
Em vão nos deste, pra maior lembrança,
Do mundo - a Europa, mas d'Europa - a França.
Mas da França - um Bourbon!
Desvario das frontes coroadas!
Na página das púrpuras rasgadas
Ninguém mais estudou!
E no sulco do tempo, embalde dorme
A cabeça dos reis - semente enorme
Que a multidão plantou!...
No entanto fora belo nesta idade
Desfraldar o estandarte da igualdade,
De Byron ser o irmão...
E pródigo - a esta Grécia brasileira,
Legar no testamento - uma bandeira,
E ao mundo - uma nação.
Soltar ao vento a inspiração de Graco
Envolver-se no manto de 'Spartaco,
Dos servos entre a grei;
Lincoln - o Lázaro acordar de novo,
E da tumba da ignomínia erguer um povo,
Fazer de um verme - um rei!
Depois morrer - que a vida está completa,
- Rei ou tribuno, César ou poeta,
Que mais quereis depois?
Basta escutar, do fundo lá da cova,
Dançar em vossa lousa a raça nova
Libertada por vós...
(Castro Alves)
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15:49 - 04/01/2009
- Pacco

- AS MARCAS DE MEUS PASSOS
Se as marcas de meus passos ficassem nas calçadas
Como as que beiram os lagos
Ou as das ruas escuras, sem movimento,
Todas elas estariam bem marcadas
Mesmo que por algumas não tenho passado um só momento.
Se minhas mãos manchassem as folhas dos livros de poesia
Ou quando acariciassem as flores,
Suas pétalas então se manchariam,
Nem em flores ou livros jamais eu tocaria
E as muitas que eu vi manchadas estariam.
Se seres pudessem ficar marcados
Com a essência do que deles eu pensei,
Todos trariam amor na fronte estampado
Pois eu pensei em todos
E pensando em todos, a cada um amei.
Se o que eu criei em meu coração
Pudesse impressionar a natureza,
Os pássaros cantariam eternamente,
O vento sopraria uma canção
E tudo então teria mais beleza.
Mas estas marcas não existem e jamais existiram,
Nem as marcas de meus pés,
Nem as marcas de minhas mãos,
Ou as marcas de meu pensamento
E as marcas do meu coração.
Só duas marcas eu sei, burlarão o tempo...
Uma ficará na minha simples poesia
E a outra..... Triste marca de meu nome, sobre uma laje fria.
- Adão Hernandez Filho (1942 - 2000) -
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15:13 - 02/01/2009
- Pacco

- MÚSICA É VIDA
As coisas que parecem muito fáceis, na verdade nos levam a questionar muito. Ao falarmos em Vida, poderemos falar da grande Vida, que existe em todos os seres, e talvez até mesmo nas coisas, que não são exatamente seres. Ou podemos falar de nossa vida curta, aqui na terra.
Então sim, podemos falar de música. Podemos dizer que a música existe na vida, a vida existe na música. Todos os sons da natureza, que não ouvimos porque nossa pequena vida exige de nós todo o tempo que poderíamos dedicar a ouvir a Grande Vida. A música existe em estado natural em todas as coisas: nas cachoeiras, no barulho do vento nas folhas, nos pássaros, no matraquear dos cascos dos cavalos no chão, no ronco dos motores na terra, na água e no ar. Enfim, se “afinarmos” nossos ouvidos teremos música permanente sem necessidade de recorrer à aparelhagem eletrônica, nem nos debruçar sobre partituras de grandes mestres.
Contudo, os grandes mestres descobriram sua vida através das composições, assim compositores e intérpretes anônimos descobrem a vida nos sons que eles mesmos emitem. Assim temos sons maravilhosos na própria voz que só fala, no choro de uma criança, ou no tilintar dos talheres da família em redor da mesa.
Até mesmo os surdos usam de música mental para suas necessidades. Beethoven compôs a 9ª. Sinfonia totalmente surdo, o que mostra que podemos “ouvir” sons com os ouvidos da mente. Talvez seja a mesma música que os apaixonados ouvem em seus silêncios cheios de significados
Como falar de vida sem música? Como tirar a música de nossa vida? A música existe como existe a luz, como existe o ar. Ela está intrinsecamente em nós, faz parte de nós e se entranha como um membro do nosso corpo se liga a outro, numa clara demonstração de que o conjunto não está completo se estiver faltando um membro.
Não importa que seja redundância. Quero gritar: Viva a Música!
(Luiz Lauschner)
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14:55 - 02/01/2009
- Pacco

- “Nossas loucuras são as mais sensatas emoções. Tudo o que
fazemos, deixamos de lembrança para os que sonham um dia
ser como nós: loucos, mas, felizes."
(Anônimo)
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04:48 - 01/01/2009
- Pacco

- “A Música é a arte que realiza melhor e mais rapidamente a fusão do nosso espírito com o Todo. Nenhuma outra arte pode exprimir com mais emoção os sentimentos vagos determinados pela a intuição da unidade com o Todo infinito, sendo a Música, que é a mais vaga e a mais emotiva de todas as artes. Pela sua fluidez ela transforma a natureza em sentimento; não se limitando a interpretar...
Na Música, uma descoberta notável de que os intervalos musicais se colocam de modo que admitem expressões através de proporções aritméticas.
Pitágoras descobriu em que proporções uma corda deve ser dividida para a obtenção das notas musicais: dó, ré, mi, etc. Descobriu ainda que frações simples das notas, tocadas juntamente com a nota original, produzem sons agradáveis. Já as frações mais complicadas, tocadas com a nota original, produzem sons desagradáveis.
Pitágoras seguia uma doutrina diferente. Teria chegado à concepção de que todas as coisas são números e o processo de libertação da alma seria resultante de um esforço basicamente intelectual. A purificação resultaria de um trabalho intelectual, que descobre a estrutura numérica das coisas e torna, assim, a alma como uma unidade harmônica.
Filolau afirmava que a natureza do mundo é um todo harmonioso de elementos limitados e ilimitados. O limitado está sujeito a uma forma, ou seja, a uma regra de proporções, enquanto o ilimitado expressa a matéria variável com que as coisas são feitas. O número está presente tanto no limitado quanto no ilimitado; mas é o limitado o responsável pela ordem do Cosmos, isto é, pelas proporções e movimentos que o compõem, o que pode ser verificado pelo estudo das disciplinas da Geometria, Aritmética, Música e Astronomia.
A terapia pela música (musicoterapia) era bastante recomendada para curar os estados da alma – a ansiedade, a depressão, a desorientação. Pelo que consta de suas biografias, o próprio Pitágoras compôs um conjunto de peças musicais ajustadas a cada tipo de estado anímico dos que acudiam a sua escola.”
"Pensem o que quiserem de ti; faz aquilo que te parece justo."
“A sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas os homens podem desejá-la ou amá-la tornando-se filósofos.”
(Pitágoras)
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03:13 - 01/01/2009
- Pacco

- “Se eu tivesse, se eu tivesse muitos vícios...
O meu nome deveria ser Vinícius.
Se esses vícios fossem muito imorais...
Eu seria o Vinícius de Moraes.”
-
02:29 - 31/12/2008
- Pacco

- Dear Friend, Pacco.
Please go to this link to receive our Holiday Greetings for you.
With our love and best wishes,
Chick Corea & Gayle
chick@chickcorea.com
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14:24 - 28/12/2008
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