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Livro de recados de Pacco

Pacco
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TOCATA N°1 – NEOBARROCO

Minha esposa e eu, dedicamos uma Obra ao Pai Todo-Poderoso.
Tocata n°1 - para Orquestra Sinfônica.
Estilo: Neobarroco - três movimentos.
Duração: 10 minutos.

Vou tentar explicar o que houve com essa obra.
Certa vez, um “maestro” foi reger a ‘Tocata n°1’ e, na calada da noite, pediu para que seus “músicos” não respeitassem a armadura de clave e nem tampouco a divisão de compasso, quando esse mesmo fosse executar a obra. Absurdo?!
Ora, numa Orquestra Sinfônica, existem instrumentos transpositores; por esse motivo, não podemos admitir que, "regente" algum faça qualquer mudança. Ele tem que respeitar o que está escrito. Isso, se quiser executar a obra. Todo compositor é um maestro nato; pois, é ele quem escreve a regência... E sabe muito bem o que deve ou não deve ser mudado. Mas, nem todo “regente” é compositor... O máximo que um “regente” pode fazer, é um arranjo... Isso quer dizer: já pega a obra pronta e, somente vai adaptar algumas vozes ou instrumentos por causa da formação de sua Banda ou de sua Orquestra.
A Orquestra é dividida por naipes: madeiras, metais, cordas e percussão. Dependendo da obra, acrescentamos o coral (coro).
“Regentes modernos”, querem fazer mudanças a todo custo; não é por aí!

Quando um compositor escreve para um naipe de Trompas em (F) Fá, por exemplo: e se, porventura, a tonalidade estiver em (C) Dó maior em relação ao Piano... Jamais a Trompa poderá tocar nessa mesma tonalidade, e sim, em (G) Sol maior. Isso porque existe a transposição. Para que a Trompa em (F) soe a mesma nota do Piano, é preciso escrever uma quinta acima, para que soe uma quinta abaixo. Exemplo: se queremos que soe a nota (C3) Dó3, devemos escrever a nota (G3) Sol3.
Como também existem os naipes de Trompetes e Clarinetes em (Bb) Si bemol. A diferença em relação ao Piano, é que, tanto o Trompete quanto a Clarineta em (Bb) Si bemol, soa sempre um tom de diferença – um tom abaixo; para que soe (E3) Mi3, devemos escrever a nota (F#3) Fá sustenido 3; e assim sucessivamente.

“O regente torna-se responsável por decisões de interpretação como andamento, caráter, instrumento ou voz a ser destacada em determinado trecho. Torna-se responsável também pela coordenação dos ensaios, o que o obriga a conhecer previamente e muito bem a totalidade da obra, para garantir a perfeita junção das partes de cada músico. Finalmente, torna-se responsável pela marcação do tempo e das entradas mais importantes durante a execução em concerto, função a mais aparente da atividade de um maestro.”

Um “maestro” querer que, uma Orquestra não respeite a armadura de clave, e nem tampouco a divisão de compasso... No mínimo, ele está mal-intencionado; quem sabe, esse promíscuo quisesse que soasse música aleatória, música experimental, ou mesmo dodecafônica (música serial). Mas não é bem assim! Vai saber o que esse indivíduo estava querendo fazer. Na música, sem armadura de clave e sem divisão de compasso... Simplesmente vai soar... Ou melhor: não vai soar absolutamente nada do que está escrito!

Esse regente, para o qual estou me referindo, é presbítero!... Fico imaginando se não fosse!
Um certo “pastor”, da Igreja desse tal “maestro”, nos disse o seguinte: “vocês não podem dedicar uma música para Deus, porque vocês não são Evangélicos; não foram batizados na Igreja Evangélica, e, por não serem batizados, as vossas músicas são mundanas (profanas).”

Para mim, esse comentário é totalmente desprezível!
Será que, tudo isso se deu por causa da dedicatória? Será que vou ter que pedir permissão aos semideuses para poder dedicar uma música ao Pai, para Jesus, para São Miguel Arcanjo, etc.
Será que uma Obra barroca é tão ordinária, ou será que é tão divina ao ponto de causar INVEJA?... Simplesmente, por não fazer parte de uma cúpula (tirania) arbitrária, uma cúpula de idólatras, que ficam no blá, blá, blá, nos corredores da agonia (angústia), que rebate e manifesta um zunir de dor!... O som nos ares dormentes... Sonhando sonhos dementes, irrefutáveis... Colossais das ilusões desvairadas das pregações trazidas dos “reis” (...)

“Ó príncipes, meus irmãos, Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?”
(Fernando Pessoa)

“A religião é vivida antes de tudo como uma angústia.”
(Albert Einstein)

Por ser autêntico na música, verdadeiramente autêntico!... Só quem poderá julgar-me e julgar a minha Obra musical, é Deus! Que venham as críticas dos iracundos, no fundir do desconforto... No insano clã do porto, sem esperança... Dos sorrateiros nas desvairadas ilusões... Vivemos numa divina decadência musical... Que alucina e manifesta um sombreado vocal, no caos profundo.
A opinião desses vis das vilezas perdidas... Para mim...,
“Não vai soar o menor eco”!
A Música é por si só, a Música!
Nem adianta tentar massagear o ego no descontentamento, por não entenderem o que isso significa... Música é simplesmente: inspiração, sentimento, Arte e Poesia.
“Ser ou não ser, eis a questão.”
Aprender a sabedoria do saber, é saber que nada se sabe!

Será que esse “regente” pensa que sou “surdo”?

Composição, como disse Debussy – “Música não se faz com teorias.”
Para mim, na Música só existem três regras e duas evidências. As duas evidências, são: Melodia e Harmonia. As três regras, são: a forma de compasso para dividir os tempos (ritmo), a Armadura de Clave para designar as tonalidades (#, b), e os Acidentes ocorrentes para entrelaçar os tons. O resto é tagarelice!

Paulo Costa (Pacco)

“É mais difícil o estoicismo para um artista que para qualquer outro.”
(Beethoven)
02:47 - 01/05/2009
Pacco
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INSPIRAÇÃO, ARTE, ARTISTA

"Pelo fruto nós julgamos a árvore. Julguem, então, a árvore por seus frutos, e ignorem as raízes. A função justifica o órgão, por estranho que o órgão possa parecer aos olhos dos que não estão acostumados a vê-lo funcionar. Os círculos esnobes estão recheados de pessoas que, como um dos personagens de Montesquieu, se admiram de que alguém possa ser persa. Eles sempre me fazem pensar na história do camponês que, vendo um dromedário no zoológico pela primeira vez, examina-o cuidadosamente, balança a cabeça e, já a ponto de sair, diz, para grande diversão dos presentes: “Não é verdadeiro”.
É assim, através do pleno exercício de suas funções, que uma obra se revela e se justifica. Estamos livres para aceitar ou rejeitar esse exercício, mas ninguém tem o direito de questionar o fato de sua existência. Julgar, questionar e criticar o princípio da vontade especulativa que está na origem de toda criação é, assim, definitivamente inútil. Em seu estado puro, a música é especulação livre. Artistas de todas as épocas fornecem um testemunho incessante a esse respeito. De minha parte, não tenho por que não tentar o que eles fizeram. Eu próprio tendo sido criado, não posso deixar de ter o desejo de criar.
O que põe esse desejo em movimento, e o que posso fazer para torná-lo fecundo?
O estudo do processo criativo é algo de extremamente delicado. Na verdade, é impossível observar de fora os movimentos internos desse processo. É uma tentativa vã, assim como seguir suas sucessivas fases na obra de outra pessoa. É igualmente difícil observar o que você mesmo faz. E no entanto, só pedindo a ajuda da introspecção é que tenho alguma chance de guiá-los nessa matéria essencialmente flutuante.
A maioria dos amantes de música acredita que o que põe em movimento a imaginação criadora de um compositor é um certo distúrbio emotivo geralmente designado pelo nome de inspiração.
Não pretendo negar à inspiração o papel de destaque que lhe cabe no processo gerador que estamos estudando. Apenas, sustento que a inspiração não é de forma alguma condição prévia do ato criativo, e sim uma manifestação cronologicamente secundária.

Inspiração, arte, artista – tantas palavras, no mínimo nebulosas, que nos impedem de ver claramente num terreno onde tudo é equilíbrio e cálculo, através dos quais sopra o hálito do espírito especulativo. É posteriormente, e não anteriormente, que o distúrbio emotivo associado à inspiração pode se manifestar – um distúrbio emotivo a respeito do qual as pessoas falam indelicadamente, atribuindo-lhe um sentido que nos choca, e que compromete o próprio termo. Não estará claro que tal emoção é apenas uma reação da parte do criador às voltas com essa entidade desconhecida que ainda é apenas o objeto de sua função criativa, e que deverá tornar-se uma obra de arte?
Passo a passo, elo a elo, ele terá a oportunidade de descobrir a obra. É essa cadeia de descobertas, bem como cada descoberta individual, que provoca a emoção – quase um reflexo fisiológico, como o apetite que provoca um fluxo de saliva – essa emoção que invariavelmente segue de perto as fases do processo criativo.
Toda criação pressupões, em sua origem, uma espécie de apetite provocado pela antevisão da descoberta. Esse gosto antecipado do ato criativo acompanha a captação intuitiva de uma entidade desconhecida já possuída, mas ainda não inteligível, uma entidade que só tomará forma definitiva pela ação de uma técnica constantemente vigilante.

Quanto à cultura, é uma espécie de formação que, na esfera social, dá polimento à educação, sustenta e completa a instrução acadêmica. Essa formação é igualmente importante na esfera do gosto, e é essencial ao criador que deve, sem cessar, refinar seu gosto, ou correr o risco de perder a perspicácia. Nossa mente, assim como nosso corpo, pede exercício contínuo. Ela se atrofia caso não a cultivemos.
É a cultura que põe em evidência o pleno valor do gosto, dando-lhe chance de provar sua importância simplesmente exercendo-o. O artista impõe uma cultura a si mesmo e acaba impondo-a aos outros. É assim que a tradição se estabelece.
A tradição é inteiramente distinta do hábito, mesmo de um excelente hábito, já que o hábito é por definição uma aquisição inconsciente, e tende a tornar-se mecânico, ao passo que a tradição resulta de uma aceitação consciente e deliberada. A tradição autêntica não é a relíquia de um passado irremediavelmente transcorrido; é uma força viva que anima e condiciona o presente. Nesse sentido, o paradoxo segundo o qual tudo o que não é tradição é plágio tem sua razão de ser...
Longe de implicar a repetição do que já foi, a tradição pressupõe a realidade do que permanece. Ela aparece como uma herança, um patrimônio legado à condição de fazê-lo dar frutos antes de passá-lo a nossos descendentes.

Os pompiers de vanguarda ficam tagarelando sobre música, assim como o fazem a respeito do freudismo ou do marxismo. À menor provocação, recorrem aos complexos da psicanálise, e hoje em dia vão tão longe a ponto de familiarizar-se, ainda que relutantemente (mas snobisme oblige), com o grande São Tomás de Aquino... Tudo isso bem considerado, a essa espécie de pompier, prefiro o puro e simples pompier que fala sobre melodia e, mão ao coração, defende os incontestáveis direitos do sentimento, o primado da emoção, manifesta preocupação com o que é nobre (...) Os pompiers de vanguarda, além disso cometem o erro de ser sarcásticos, além de toda medida, com seus colegas do ano anterior. Todos eles permanecerão pompiers por toda a vida, e os de molde revolucionário sairão de moda mais cedo que os outros – o tempo é uma ameaça maior pare eles.
O verdadeiro amante de música, como o verdadeiro mecenas, não se enquadra nessas categorias; mas como tudo o que é autêntico e tem valor, ambos são raros. O falso mecenas emerge habitualmente das fileiras dos esnobes, assim como o pompier ao velho estilo costuma ser recrutado nas fileiras da burguesia. Por motivo que já mencionei, o burguês me irrita muito menos que o esnobe. E não estou defendendo o burguês quando digo que é realmente muito fácil atacá-lo. Deixaremos esses ataques para os grandes especialistas na matéria – os comunistas. Do ponto de vista do humanismo e do desenvolvimento do espírito, não é preciso dizer que o burguês constitui um obstáculo e um perigo. Esse perigo, no entanto, é demasiado conhecido para inquietar-nos, na mesma medida que o perigo nunca denunciado como tal: o esnobismo.

A faculdade de observar e de fabricar algo a partir do que é observado, pertence apenas à pessoa que possui, nesse terreno peculiar de empreendimento, uma cultura adquirida e um gosto inato. Um marchand, um amante da arte que é o primeiro a comprar telas de um pintor desconhecido que se tornará famoso vinte e cinco anos depois com o nome de Cézanne – essa pessoa não nos dá um exemplo claro desse gosto inato? O que mais poderia guiá-lo em sua escolha? Um faro, um instinto de que seu gosto se origina, uma faculdade completamente espontânea que é anterior à reflexão.
A universalidade cujos benefícios vamos gradualmente perdendo é uma coisa inteiramente diferente do cosmo-politismo que vai se apossando de nós. A universalidade pressupõe a fecundidade de uma cultura que se espalha e se comunica por toda parte, enquanto o cosmopolitismo não oferece nem ação nem doutrina, e leva à passividade indiferente de um ecletismo estéril.
A universalidade necessariamente pressupõe a submissão a uma ordem estabelecida. E suas razões para esse pressuposto são convincentes. Aceitamos essa ordem por simpatia ou prudência. Em qualquer caso, os benefícios da submissão não tardam em aparecer.

Tenho plena consciência de que os termos (dogma e dogmático), por mais que evitemos empregá-los em assuntos estéticos ou mesmo espirituais, nunca deixam de ofender – ou mesmo chocar – certas mentalidades, mais ricas na sinceridade do que inabaláveis nas convicções (...) Se falo do sentido legítimo desses termos, é para enfatizar o uso natural e corrente do elemento dogmático em qualquer campo de atividade em que ele se torna categórico e verdadeiramente essencial. De fato, não podemos observar o fenômeno criativo independentemente da forma em que ele se manifesta. Todo processo formal deriva de um princípio, e o estudo desse princípio requer precisamente o que denominamos dogma. Em outras palavras, a necessidade que sentimos de trazer ordem ao caos, de encontrar o caminho certo de nossa operação a partir de um feixe de possibilidades ou da indecisão de pensamentos vagos, pressupõe a necessidade de alguma forma de dogmatismo. Portanto, uso as palavras dogma e dogmatismo apenas na medida em que designam um elemento essencial para salvaguardar a integridade da arte e do espírito, e sustento que, nesse contexto, elas não extrapolam suas funções.

Não se pode provocar o que é acidental: pode-se observar e daí extrair inspiração. O acidental é talvez a única coisa que nos inspira. Um compositor improvisa sem direção da mesma maneira como um animal escava o terreno. Ambos vão escavando porque cedem à compulsão de procurar coisas. Que necessidade do compositor é atendida por essa investigação? A das regras que ele carrega como um penitente? Não: ele está em busca de seu prazer. Ele procura uma satisfação sabendo perfeitamente que não a encontrará se não brigar por ela. Não se pode obrigar a própria personalidade ao amor; mas o amor pressupõe entendimento e, para entender, é preciso exercer a própria personalidade. É o mesmo problema colocado na Idade Média pelos teólogos do puro amor. Entender para poder amar; amar para poder entender.

A capacidade para a melodia é um dom. Isso significa que não está em nosso poder desenvolvê-lo através do estudo. O exemplo de Beethoven deveria bastar para nos convencer de que, de todos os elementos da música, a melodia é o mais acessível ao ouvido e o mais difícil de se adquirir. Temos aqui um dos grandes criadores de música que passou toda sua vida implorando a ajuda desse dom que lhe fazia falta. Beethoven acumulou para a música um patrimônio que parece apenas o resultado de um esforço laborioso. Bellini herdou a melodia sem se quer ter pedido por ela, como se os Céus lhe dissessem: “Darei a você o que falta a Beethoven.” Mas isso não é razão para ficarmos obcecados pela a melodia a ponto de perder o equilíbrio e esquecer que a arte da música nos fala em muitas vozes ao mesmo tempo.
Gostaria de dirigir novamente a atenção de vocês para Beethoven, cuja grandeza deriva de uma obstinada batalha com a melodia rebelde. Se a melodia fosse tudo na música, como justificar as várias forças que compõem a imensa obra de Beethoven, e em que a melodia certamente é a menos privilegiada?

Obviamente, a instrução e a educação do público não acompanharam o ritmo de evolução da técnica. O uso da dissonância, em ouvidos mal preparados para aceitá-la, não deixou de perturbar essa reação, causando um estado de debilidade em que o dissonante já não se distingue do consonante."

(Igor Stravinsky)

“É evidente” – escreve Baudelaire – “que a retórica e a prosódia não são tiranias inventadas arbitrariamente, mas uma coleção de regras exigidas pela própria organização da realidade do espírito, e jamais a prosódia e a retórica impediram a originalidade de manifestar-se plenamente. O contrário, isto é, que contribuíram para o florescimento da originalidade, seria infinitamente mais verdadeiro.”

“Para um artista, nenhum sentido tem lutar por algo que não seja o aperfeiçoamento de sua obra. Naturalmente, pode, por vezes, o artista ser também um apóstolo, um lutador, um pregador. Mas o resultado de seus esforços não dependerá do ardor do seu zelo nem do acerto de seu testemunho, e sim, sempre e exclusivamente da qualidade de suas criações artísticas.”

(Hermann Hesse)
17:05 - 17/04/2009
Pacco
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POESIA E MELODIA

Certamente, não é tão trabalhoso escrever Poesia...
Trabalhoso, é descobrir a arte d'escrever Melodia!

Perdoem-me a sinceridade...
Por essa eventual verdade.

Paulo Costa (Pacco)

"A música é a revelação superior a toda sabedoria e filosofia."
(Ludwig van Beethoven)

20:32 - 16/03/2009
Pacco
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MÚSICA
“Definir a música não é tarefa fácil, porque apesar de ser intuitivamente conhecida por qualquer pessoa, é difícil encontrar um conceito que abarque todos os significados dessa prática. Mais do que qualquer outra manifestação humana, a música contém e manipula o som e o organiza no tempo. Talvez por essa razão ela esteja sempre fugindo a qualquer definição, pois ao buscá-la, a música já se modificou, já evoluiu. E esse jogo do tempo é simultaneamente físico e emocional. Como "arte do efêmero", a música não pode ser completamente conhecida e por isso é tão difícil enquadrá-la em um conceito simples.”
11:36 - 18/02/2009
Pacco
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AMOR E ACONCHEGO

P risma, refletindo anil e lilás;
A migo, virtuoso e companheiro,
U niverso de poemas e melodias,
L ago calmo, com águas cristalinas,
O nde o meu espírito encontra a paz.

C omunhão entre o passado e o futuro,
O ceano, alfa, ômega, e faz parte de mim.
S emeando esperança de liberdade,
T u és amado e amante...
A mor e aconchego, enfim...

(Madalena Romagnolo)
01:47 - 08/02/2009
Pacco
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HEITOR VILLA-LOBOS

“Suas primeiras peças tiveram alguma influência de Puccini e Wagner, mas a de Stravinsky foi mais decisiva, como se vê nos balés Amazonas e Uirapuru (ambos de 1917). Apesar de suas obras terem aspectos da escrita européia, Villa-Lobos sempre fundia suas obras com aspectos da música realizada no Brasil. Utilizava sons da mata, de eventos indígenas, africanos, cantigas, choros, sambas e outros gêneros muito utilizados no país. O meio acadêmico desprezava o que escrevia, até que uma turnê do pianista polonês Arthur Rubinstein pela América do Sul, em 1918, proporcionou uma amizade sólida, que abriria as portas para a mudança de Villa-Lobos para Paris, em 1923.
Passou duas longas temporadas na França, o maior reduto musical da época, através da ajuda financeira da família Guinle. Residiu em Paris entre 1923 e 1924, e de 1926 a 1930, quando voltou ao Brasil para participar de um programa de educação musical do governo de Getúlio Vargas. Nesse tempo, a influência de Stravinsky foi sobrepujada pela da música brasileira, seja a indígena, seja a dos chorões. Essas duas vertentes são bastante marcantes nos catorze Choros. Os temas nordestinos viriam a se fazer mais presentes na década de 1930, ao lado da inspiração reencontrada em Bach.”
11:44 - 06/02/2009
Pacco
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Pensei ter existido somente um Salieri na história da humanidade.

(05:56:49) Don Peppe fala para Pacco: Don Pacco, Villa-Lobos escreveu uma bosta de música!

(05:57:18) Pacco fala para Don Peppe: Realmente, Don Peppito... Tua ignorância prova que, tu és o rei dos medíocres!
11:43 - 06/02/2009
Pacco
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SEGUNDO POEMA DIDÁTICO

Nós ainda estamos resolvendo os assuntos
De Roma.
Nós somos Roma e o velho Egito,
E Nínive,
E Babilônia...
E, apesar das brincadeiras laboratoriais,
Ainda somos gerados da mesma maneira.

Nada nasce do ar.
Os próprios deuses, tão diversos, são,
Conforme a vez, o tempo, a ocasião,
As fantasias sucessivamente usadas e
Despidas pelo Deus único e verdadeiro.

Uma divina mascarada?
Não!
Ele não tem a mínima culpa dos costureiros.
Por trás dos disfarces
– No meio de todos e de tudo –
Sorri, complacententemente, o Deus Nu.

Sorri, sobretudo, para o poeta que toca
O pandeiro,
A lira,
O pífano,
O violoncelo profundo,
Enquanto, ao pé de todas as cruzes,
Soldados jogam os dados,
Os destinos de Roma e do mundo.

(Mário Quintana)
13:58 - 31/01/2009
Pacco
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Períodos da história da Música:

* Período Medieval – até 1450
“Música é a ciência que pode fazer-nos rir,
cantar e dançar.” (Guillaume de Machaut – 1300-1377)

* Período Renascentista – 1450 até 1600
“A música é uma disciplina que torna as pessoas
mais pacientes e doces, mais modestas e razoáveis.
(...) Ela é um dom de Deus e não dos homens.
(...) Com ela se esquecem a cólera e todos os vícios.
Por isso, não temo afirmar que depois da teologia,
nenhuma arte pode ser equiparada à música.”
(Martinho Lutero – 1483-1546)

* Período Barroco – 1600 até 1750
“Tão grande é a correspondência entre a música e a nossa alma que muitos,
procurando cuidadosamente a essência desta, ajuizaram que ela está repleta
de acordes harmoniosos – pura harmonia, na verdade.
Toda a natureza, a bem dizer, não é outra coisa senão uma perfeita música,
que o Criador faz ressoar nos ouvidos do entendimento do homem,
a fim de dar a ele prazer e atraí-lo docemente para Si.”
(Ian Sweelinck – 1562-1621)

* Período Clássico – 1750 até 1810
“Assim como as paixões, violentas ou não,
jamais devem ser expressas de forma a produzir asco,
a música, ainda que nas situações as mais terríveis,
nunca deve ofender o ouvido, mas agradar,
continuar a ser música, enfim.”
(Wolfgang Amadeus Mozart – 1756-1791)

* Período Clássico/Romântico – 1810 até 1900
“Quem uma vez compreendeu minha música,
será livre da miséria em que os outros se arrastam!”
(Ludwig van Beethoven – 1770-1827)

* Música do Século XX – 1900 em diante.
“É a cultura que põe em evidência o pleno valor do gosto,
dando-lhe chance de provar sua importância simplesmente exercendo-o.
O artista impõe uma cultura a si mesmo e acaba impondo-a aos outros.
É assim que a tradição se estabelece.”
(Igor Stravinsky – 1882-1971)

* Música do Século XXI.
Rogo a Deus para que não entremos num “Período Decadente”.
Para escrever uma grande obra, precisamos estar inspirados e ser criativos.
Sem mais comentário.
06:37 - 16/01/2009
Pacco
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VÓS OUTROS, QUE BUSCAIS REPOUSO CERTO

Vós outros, que buscais repouso certo
Na vida, com diversos exercícios;
A quem, vendo do mundo os benefícios,
O regimento seu está encoberto;

Dedicai, se quereis, ao desconcerto
Novas honras e cegos sacrifícios;
Que, por castigo igual de antigos vícios,
Quer Deus que andem as cousas por acerto.

Não caiu neste modo de castigo
Quem pôs culpa à Fortuna, quem somente
Crê que acontecimentos há no mundo.

A grande experiência é grão perigo;
Mas o que a Deus é justo e evidente
Parece injusto aos homens e profundo.

(Luís de Camões)
15:13 - 12/01/2009

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